
Respirei fundo, na tentativa inútil de me acalmar.Eu estava à um passo da porta, fiquei a encarando, tentando tomar coragem para entrar.Num movimento lento, encostei minha mão na maçaneta, e assim fui girando-a, enquanto eu olhava para o chão.Pelo jeito, ela nunca saberá o quanto me parte em pedaços, vê-la daquela forma, eu estava diante de uma moça no qual, não falava, não sorria, nem ao menos abria os olhos.Ela estava pálida, com os olhos fundos, como quem não dorme há dias, os lábios ressecados e completamente sem cor.Não parecia mais aquela garota que não tirava o sorriso do rosto, que tinha os olhos brilhantes como estrelas, e lábios vermelhos carnudos, que todos desejavam tocar.Eu faria qualquer coisa para tê-la de volta.Segurei levemente as mãos dela, fiquei olhando-a por um tempo e cheguei a conclusão, de que ainda havia muitas coisas que quero que ela saiba, coisas que eu quero que façamos juntos.Eu não irei desistir, não assim tão fácil, não mesmo.Se ao menos, eu pudesse encontrar a resposta para me ajudar a entender.
- Eu quero que você saiba, que se você cair, tropeçar, eu te levantarei do chão.Se você perder fé em si mesma, eu te darei força pra sair dessa.Me fale que você não vai desistir, porque eu estarei esperando.Se você cair, você sabe.Eu estarei lá por você.
Disse, apertando a mão dela, de forma que ela pudesse perceber de que eu realmente estaria ali, pra qualquer coisa.Toquei as bochechas dela, que antes costumavam a ser quentes e rosadas, agora estavam brancas e extremamente frias.Uma lágrima rolou do meu olho abaixo.Já estou nessa mesma aflição há anos, mas toda vez que eu olho para a nossa fotografia, todos os momentos que passamos juntos me vem à cabeça e um calor, ao coração.É daí que tiro forças pra continuar, sei que posso esperar, posso esperar pra sempre.A olhei pela última vez antes de fechar aquela porta, saí daquele quarto pior do que estava antes... apesar de ainda ter esperanças.Assim que saí daquele hospital, começou a chover forte, coloquei o capuz do meu velho casaco verde, e segui em rumo de casa, mas resolvi parar na Starbucks e tomar aquele café, que sempre tomávamos.Entrei, e sorri ao ouvir o barulho do sino, ela costumava brincar com aquilo, segui até o balcão e sentei no mesmo banco, como de rotina.Pedi café, e ouvi Ana perguntar:
- E como ela está?
Não respondi, apenas meu olhar bastou, então entregou-me o copo, levantei-me e caminhei até a porta, mas antes que saísse, Ana se manifestou:
- Você sabe como ela é resistente e persistente, não desista dela, porque nem ela faria isso consigo mesma.
Acenei com a cabeça em sinal de concordância, afinal ela estava certa.Voltei para casa tomando tal café, andei nas ruas com o pensamento completamente vago, tinha até esquecido de que estava chovendo.Entrei em casa, joguei meu sobre-tudo em um canto qualquer, liguei a TV em um canal de música, deitei-me na cama e fiquei olhando para o teto, relembrando novamente, os bons tempos que havia passado com ela.Acabei adormecendo e flutuando nas lembranças.Acordei com o telefone tocando, o deixei tocar mais algumas vezes, até tomar coragem de atendê-lo, e o que eu ouvi ali, naquela noite, foi o eu estava esperando há 1 ano:
- Nós não tínhamos mais esperanças, e para a nossa total surpresa, ela acordou do coma.